

Carona remunerada: quais são os riscos para o passageiro?

Em entrevista à Rádio Ônibus, Antonio Laskos, diretor executivo do SETPESP, faz um alerta sobre a segurança nas caronas remuneradas e aborda questões como fiscalização, condições dos veículos e motoristas, assistência em caso de acidentes e os impactos desse modelo sobre as linhas regulares de ônibus.
Laskos também chama atenção para o transporte de menores e defende maior uso de tecnologia e inteligência de dados para identificar possíveis operações irregulares nas estradas.
🎙️ Ouça a entrevista completa e entenda os riscos apontados pelo SETPESP e o que pode ser feito para ampliar a segurança dos passageiros.
Uma recente denúncia de estupro durante uma viagem solicitada por meio de uma plataforma de caronas reacendeu o debate sobre a segurança dos passageiros e a fiscalização desse modelo de transporte. Em entrevista à Rádio Ônibus, Antonio Laskos, diretor executivo do SETPESP, alertou para os riscos que, segundo ele, vão além da segurança pessoal e envolvem condições dos veículos, identificação dos condutores, fiscalização e assistência em caso de acidentes.
Segurança antes do preço
Para Laskos, a busca por viagens mais rápidas ou baratas não deve deixar a segurança em segundo plano. O diretor afirma que uma das preocupações está relacionada à dificuldade de o passageiro conhecer as condições reais do veículo e do motorista antes de iniciar a viagem.
Entre os pontos levantados estão manutenção, estado dos pneus, condições de descanso do condutor e suporte ao passageiro caso o veículo apresente algum problema durante o trajeto.
Segundo Laskos, o usuário precisa avaliar não apenas preço e praticidade, mas também quais garantias terá durante toda a viagem.
SETPESP aponta impacto sobre linhas regulares
Outro ponto abordado na entrevista foi o impacto das caronas remuneradas sobre o transporte regular. De acordo com Laskos, o fenômeno não estaria restrito às grandes plataformas digitais. Grupos organizados por aplicativos de mensagens também estariam oferecendo viagens frequentes em determinados trajetos.
Na avaliação do diretor executivo do SETPESP, quando essas operações passam a se concentrar nas rotas de maior demanda e são realizadas repetidamente com finalidade de remuneração, podem afetar o equilíbrio econômico das linhas regulares.
Laskos também questiona situações em que um motorista realiza várias viagens remuneradas por dia. Para ele, nesses casos, é necessário investigar se a atividade continua sendo uma simples carona ou se passa a configurar uma operação profissional de transporte de passageiros sem a correspondente autorização.
Fiscalização pode usar inteligência de dados
O diretor defendeu maior integração entre empresas, agências reguladoras e forças de segurança para identificar veículos que eventualmente estejam realizando transporte irregular.
Uma das possibilidades mencionadas é o cruzamento de dados de placas captadas por câmeras nas rodovias. A repetição de um mesmo veículo diversas vezes por dia em determinado trecho poderia, segundo ele, servir como indício para uma fiscalização mais detalhada.
Laskos afirmou que o SETPESP vem colaborando com autoridades e defendeu o reforço das equipes de fiscalização, além da utilização de tecnologia e inteligência de dados.
Assistência em caso de acidente
A entrevista também abordou as diferenças de estrutura entre uma carona remunerada e uma empresa regular de transporte rodoviário.
Laskos destacou que empresas autorizadas estão submetidas a exigências regulatórias e possuem estruturas de atendimento aos passageiros. Segundo ele, isso pode incluir seguro coletivo, veículos de apoio ou substituição e assistência em situações de emergência, dependendo da operação e das regras aplicáveis.
Na avaliação do diretor, o passageiro de uma carona remunerada pode não encontrar o mesmo nível de suporte caso ocorra um acidente, pane ou outra situação durante a viagem.
Transporte de menores preocupa
Um dos últimos pontos levantados por Laskos foi o transporte de crianças e adolescentes desacompanhados. Para o diretor, a identificação e o controle dos passageiros são questões que precisam receber atenção especial nesse tipo de viagem.
Ele comparou esse cenário aos procedimentos existentes no transporte rodoviário regular e defendeu mecanismos capazes de dificultar o transporte irregular de menores.
Ao final da entrevista, Laskos recomendou que os passageiros avaliem cuidadosamente as condições de segurança antes de viajar e afirmou que o SETPESP continuará defendendo maior fiscalização sobre as operações que, embora apresentadas como caronas, possam caracterizar transporte remunerado habitual de passageiros.


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