VWCO prepara ofensiva para a Fenatran, entra em novo segmento e promete “nova era” no transporte

03/09/2026

Ainda camuflada, nova van antecipa entrada da Volkswagen em um mercado inédito e promete ser uma das estrelas da Fenatran

A convite da Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO), a Rádio Ônibus esteve na apresentação de pré-Fenatran da montadora e acompanhou de perto algumas das principais novidades que serão levadas ao evento. A ofensiva passa por praticamente todo o portfólio, com novos caminhões, motores de até 540 cavalos, eletrificação, B100, conectividade e inteligência artificial. Mas uma das maiores expectativas está na entrada da empresa em um segmento inédito: o de veículos comerciais leves abaixo de 3,5 toneladas.

Em entrevistas à Rádio Ônibus, Ricardo Alouche, vice-presidente de Vendas, Marketing e Pós-Vendas da VWCO; Rodrigo Chaves, vice-presidente de Engenharia; e Eduardo Portas, CEO da TRATON Financial Services no Brasil, apresentaram diferentes partes da estratégia. Enquanto Alouche destacou a expansão comercial e a estrutura de pós-venda, Chaves revelou os desafios de engenharia e as novas tecnologias. Portas explicou como a operação financeira está sendo preparada para um cliente com perfil e comportamento de compra diferentes.

Ricardo Alouche: "Quando a Volkswagen entra, entra para valer"

Para Ricardo Alouche, a chegada ao segmento de comerciais leves representa uma expansão estratégica da atuação da VWCO. O executivo reconheceu que a empresa levou tempo para entrar nessa categoria, mas afirmou que a decisão ocorreu quando a montadora se considerou preparada para oferecer não apenas um novo produto, mas toda a estrutura necessária para sustentá-lo no mercado.

"Demoramos para entrar nesse segmento porque a Volkswagen, quando entra, entra para valer", afirmou.

Alouche destacou como um dos principais diferenciais a rede de mais de 150 concessionárias espalhadas pelo Brasil, que deverá ser preparada para atender os novos clientes.

Segundo ele, a estratégia passa por disponibilidade de peças, profissionais capacitados, atendimento, baixo custo operacional e valorização do veículo no mercado de usados.

"Vocês não terão somente mais um veículo. Vocês terão o atendimento Volkswagen Caminhões e Ônibus para o segmento de comerciais leves", ressaltou.

O executivo também revelou que a chegada inicialmente importada não significa que o projeto permanecerá dessa forma no longo prazo. Conforme o produto amadurecer no mercado brasileiro, a VWCO pretende estudar a localização de componentes.

"À medida que o tempo for passando, o produto for maturando, nós iremos nacionalizar ou localizar peças desse produto e, até quem sabe, montar esse produto no nosso país", afirmou.

Alouche também prevê geração de empregos com a entrada na nova categoria, argumentando que um novo segmento exigirá vendedores, mecânicos e profissionais preparados para atender esse público.

Rodrigo Chaves: produto foi pensado "sob medida para o Brasil"

Se Alouche apresentou a estratégia comercial, Rodrigo Chaves detalhou o trabalho desenvolvido pela engenharia.

O vice-presidente de Engenharia afirmou que a novidade abaixo de 3,5 toneladas representa o início de uma nova etapa para a companhia.

"Sem dúvida nenhuma, nós estamos inaugurando uma nova era no transporte, expandindo o nosso portfólio", declarou.

Chaves ressaltou que houve um intenso trabalho para adaptar a solução às necessidades das operações brasileiras.

"É um produto desenhado sob medida para o Brasil, para os nossos desafios, para aquilo que o nosso cliente realmente precisa."

Segundo o executivo, eficiência, segurança, robustez e disponibilidade estão entre os pilares considerados no desenvolvimento. A expectativa da engenharia é alta: Chaves acredita que o lançamento poderá estabelecer um novo parâmetro para a categoria.

"Tenho certeza de que o que vocês vão ver na Fenatran vai definir uma nova referência para esse segmento", afirmou.

Do elétrico aos 540 cv: engenharia renova praticamente toda a linha

A ofensiva da VWCO, entretanto, vai muito além da entrada nos comerciais leves.

Rodrigo Chaves destacou evoluções nos veículos leves, médios e pesados, além de avanços em eletrificação. Entre as novidades está uma plataforma elétrica de 17 toneladas voltada a operações que necessitam de maior capacidade de carga.

Nos caminhões médios, a empresa prepara configurações rígidas 6x2 e 8x2 com até 380 cavalos, ampliando as possibilidades de aplicação.

No topo da escala de potência, a nova geração chega aos 540 cavalos. Ricardo Alouche destacou o Constellation 33.540 6x4, desenvolvido para aplicações fora de estrada e apresentado como o Constellation mais potente e robusto da família.

Alouche também apontou ganhos de eficiência da nova geração, incluindo redução de consumo, menores custos de manutenção e menos tempo de parada, fatores considerados fundamentais para aumentar a disponibilidade dos veículos.

B100, conectividade e inteligência artificial

Rodrigo Chaves também mostrou que a estratégia tecnológica da VWCO não está concentrada em apenas uma alternativa de descarbonização.

Além da eletrificação, o executivo destacou a compatibilidade com B100 por meio da tecnologia B100 Flex, abrindo uma possibilidade especialmente interessante para operações que tenham acesso à produção ou ao fornecimento do biocombustível.

Outro avanço está na conectividade e na aplicação de inteligência artificial.

A intenção é ampliar a integração entre veículo, cliente e todo o ecossistema de transporte, transformando informações geradas durante a operação em ferramentas capazes de contribuir para eficiência, disponibilidade e rentabilidade.

Para Chaves, inovação precisa ter resultado prático na operação: tecnologia deve ajudar o caminhão a permanecer disponível e gerar mais valor para o negócio do transportador.

Eduardo Portas: novo cliente exigirá outra velocidade para o crédito

A entrada em um novo segmento também muda a forma de financiar os veículos.

Eduardo Portas, CEO da TRATON Financial Services no Brasil, explicou que a empresa está preparando sua estrutura para atender um consumidor com comportamento diferente daquele encontrado tradicionalmente no mercado de caminhões.

"É um perfil diferente de cliente, uma expectativa diferente de velocidade de atendimento", explicou.

Portas deu como exemplo um consumidor que visita uma concessionária em um sábado, conhece o produto e espera sair do processo rapidamente, com a compra encaminhada, crédito aprovado e contrato assinado.

Para acompanhar essa dinâmica, a TRATON Financial Services prepara uma estrutura específica.

"Estamos preparando esteira de crédito, mesa de crédito dedicada ao produto e time comercial para poder atender essa expectativa e contribuir com o sucesso desse novo produto", afirmou.

Do MEI ao grande frotista

Outra particularidade apontada por Eduardo Portas é a diversidade de clientes que o novo veículo poderá alcançar.

A estrutura financeira deverá contemplar desde pessoas físicas e microempreendedores individuais até transportadores e grandes frotistas.

"Vamos ter soluções para todos esses públicos", afirmou.

Para a TRATON Financial Services, portanto, a chegada da VWCO à nova categoria também representa oportunidade de expansão.

Portas destacou que a marca entrará em um mercado no qual ainda não atuava, trazendo negócios adicionais e potencial de aumento de volume para a operação financeira.

O executivo também confirmou que o veículo chegará inicialmente importado por meio da parceria com a SAIC Motor, parceira do Grupo Volkswagen na Ásia. A previsão apresentada é iniciar as vendas na Fenatran, com as primeiras entregas posteriormente.

Alouche: momento difícil também é momento para investir

Toda essa ofensiva acontece em um cenário econômico que ainda impõe dificuldades à renovação das frotas.

Ricardo Alouche reconheceu os impactos dos juros elevados, da inadimplência e das incertezas que podem levar empresários a adiar investimentos. Para o executivo, porém, esse ambiente não muda a estratégia da Volkswagen.

"Nossa estratégia é justamente essa: lançar em momentos desafiadores e colher os frutos nos momentos melhores", afirmou.

Segundo Alouche, mesmo em um mercado mais cauteloso existem transportadores procurando redução de custos, inovação, eficiência e alternativas para melhorar suas operações.

É justamente nessa demanda que a VWCO pretende se posicionar.

Três frentes para uma nova etapa da VWCO

As três entrevistas concedidas à Rádio Ônibus ajudam a mostrar a dimensão da estratégia preparada para a Fenatran.

Na área comercial, Ricardo Alouche aposta na força da rede Volkswagen, no pós-venda e em uma nova frente de negócios, com possibilidade de nacionalização gradual do comercial leve.

Na engenharia, Rodrigo Chaves aponta uma transformação mais ampla, combinando potência, eletrificação, B100, conectividade e inteligência artificial, além de prometer uma nova referência no segmento abaixo de 3,5 toneladas.

E, na área financeira, Eduardo Portas prepara uma operação de crédito mais ágil e capaz de atender desde o pequeno empreendedor até grandes frotistas.

Produto, engenharia, pós-venda e financiamento passam, portanto, a fazer parte de uma mesma estratégia. A pré-Fenatran mostrou apenas parte dessa ofensiva. A revelação completa ficará para a Fenatran, quando a VWCO pretende transformar as novidades antecipadas em uma das maiores ampliações de portfólio de sua atual fase no mercado brasileiro.



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