
Jornadas exaustivas e falhas na fiscalização aumentam riscos nas estradas, alerta Rodolfo Rizzotto
Especialista do Estradas.com.br aponta cansaço dos motoristas, pressão por horários, problemas de manutenção e fragilidades na fiscalização como fatores que podem contribuir para acidentes graves envolvendo ônibus

As condições de trabalho dos motoristas e as fragilidades na fiscalização do transporte rodoviário estão entre os principais pontos que precisam ser enfrentados para reduzir a ocorrência de acidentes graves envolvendo ônibus e outros veículos pesados. A avaliação é de Rodolfo Rizzotto, do Estradas.com.br, que alerta especialmente para as jornadas prolongadas e para a pressão por cumprimento de horários.
Segundo Rizzotto, motoristas de ônibus e caminhões vêm sendo submetidos a rotinas cada vez mais pesadas, situação que pode aumentar os riscos nas rodovias.
"Os motoristas de ônibus, assim como os motoristas de caminhão, estão sendo submetidos a jornadas cada vez mais pesadas e também com pressão de horário, seja para entregar carga ou para entregar os passageiros", afirma.
Na avaliação de Rizzotto, essa combinação pode resultar em profissionais dirigindo cansados e, em determinadas situações, acima dos limites de velocidade.
Revezamento de motoristas também preocupa
Outro ponto destacado é o modelo de revezamento adotado em algumas viagens de longa distância. Rizzotto chama atenção para situações em que dois motoristas permanecem a bordo e um deles tenta descansar enquanto o veículo continua em movimento.
Para ele, esse período não oferece as mesmas condições de recuperação proporcionadas por um descanso realizado fora do veículo.
"A gente sabe que ninguém descansa no veículo em movimento, seja ele um ônibus, seja um caminhão", afirma.
Rizzotto relaciona essa situação ao risco de fadiga e defende maior atenção às condições efetivas de descanso dos profissionais responsáveis pela condução.
Fiscalização precisa ser fortalecida
O especialista também faz críticas ao atual sistema de fiscalização. Segundo sua avaliação, o enfraquecimento da estrutura de controle compromete a capacidade de identificar operações irregulares e prevenir situações de risco.
Rizzotto cita especificamente a atuação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a importância da integração entre órgãos reguladores e forças policiais, incluindo a Polícia Rodoviária Federal e as polícias rodoviárias estaduais.
Na avaliação dele, uma fiscalização mais estruturada permitiria verificar com maior eficiência as condições dos veículos, a regularidade das operações, as jornadas dos profissionais e outros fatores relacionados à segurança.
Passagem muito barata pode esconder riscos, diz especialista
Rizzotto também direciona um alerta aos passageiros que escolhem uma viagem exclusivamente pelo preço. Segundo ele, tarifas muito abaixo das praticadas por operações estruturadas devem ser analisadas com cautela.
"O preço barato significa risco grande. Você está pagando o preço da insegurança", afirma.
A declaração reforça, segundo Rizzotto, a necessidade de o passageiro observar não apenas o valor da passagem, mas também a regularidade da operação, as condições do veículo e a estrutura oferecida pela transportadora.
Ele ressalta ainda que problemas de manutenção e excesso de bagagem ou peso podem ampliar os riscos durante as viagens.
Aplicativos e responsabilidade em caso de acidentes
Outro ponto abordado por Rizzotto envolve plataformas que comercializam ou intermedeiam viagens rodoviárias realizadas por diferentes empresas.
Ele questiona modelos nos quais uma marca é apresentada ao consumidor como responsável pela experiência da viagem, enquanto a operação efetiva é realizada por transportadoras parceiras com diferentes estruturas e padrões.
Na avaliação de Rizzotto, essa relação pode gerar dúvidas para o passageiro sobre quem efetivamente responde pela operação e pela segurança do transporte.
"Na hora da propaganda é o aplicativo que transporta", critica, acrescentando que, diante de um acidente, a responsabilidade pode acabar sendo direcionada à transportadora e ao motorista que realizavam a viagem.
Cinto de segurança também pode salvar vidas
O especialista amplia o alerta para o transporte de cargas. Segundo ele, ainda existe resistência ao uso do cinto de segurança entre alguns ocupantes de caminhões, o que pode agravar as consequências de acidentes.
Nos ônibus, especialmente em tombamentos, a utilização do dispositivo também é fundamental para reduzir o risco de projeção dos passageiros para fora do veículo.
Para Rizzotto, enfrentar a violência no trânsito exige uma combinação de medidas: respeito às jornadas e aos períodos adequados de descanso, manutenção dos veículos, fiscalização eficiente, operações devidamente regularizadas e maior conscientização dos passageiros.
O alerta central é que segurança não pode ser tratada apenas como uma questão de preço ou de cumprimento de horários. No transporte rodoviário, as condições de trabalho de quem está ao volante e a qualidade da operação têm impacto direto sobre todos que viajam pelas estradas.


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