

Governança é o elo mais frágil do ESG no transporte rodoviário paulista
Pesquisa inédita mostra que práticas sociais e ambientais estão à frente dos mecanismos de gestão e transparência.

Estudo inédito revela desafios do transporte rodoviário de São Paulo na agenda ESG
Panorama aponta maturidade média de 24,5% e mostra que governança ainda é o eixo mais frágil entre as empresas avaliadas
O transporte rodoviário paulista já desenvolve iniciativas ambientais, sociais e de governança, mas boa parte dessas ações ainda ocorre de maneira dispersa e pouco integrada à gestão das empresas. Essa é uma das principais conclusões do Panorama ESG do Transporte Rodoviário no Estado de São Paulo, estudo setorial inédito de 2026 elaborado no âmbito da Aliança Transporte Sustentável e baseado na metodologia ABNT PR 2030.
A publicação é resultado de uma iniciativa conjunta da FETCESP, que representa o transporte de cargas; FETPESP, ligada ao transporte de passageiros; e FRESP, do segmento de fretamento. O desenvolvimento técnico é da Easy ESG, com patrocínio da Mercedes-Benz e do Despoluir, programa ambiental mantido pela CNT e pelo SEST SENAT.
Setor ainda está no início da jornada ESG
O levantamento aponta score geral médio de 24,5%, classificação considerada "Não Integrado" pela ABNT PR 2030. Isso significa que já existem práticas de sustentabilidade nas empresas participantes, mas elas ainda não estão suficientemente incorporadas aos processos de gestão e à estratégia dos negócios.
A diferença entre as empresas avaliadas também chama atenção. Os índices de maturidade variam de 5,7% a 71,7%, mostrando um setor que avança em velocidades diferentes. Apenas 5% das empresas avaliadas atingiram o nível Estratégico, enquanto 62% estão no nível Não Integrado, 19% no Elementar e 14% no Gerencial. Nenhuma alcançou o estágio Transformador.
Governança aparece como principal desafio
Entre os três pilares do ESG, o Social apresentou o melhor desempenho, com 26,2%, seguido pelo Ambiental, com 25,4%. A Governança ficou em 22%, tornando-se o eixo de menor maturidade.
Segundo o estudo, a fragilidade está especialmente relacionada aos mecanismos de controle, transparência e conduta necessários para transformar iniciativas isoladas em processos permanentes dentro das organizações.
Na análise mais detalhada, relações e práticas de trabalho alcançaram 43,3%, o melhor resultado entre os temas avaliados. No eixo ambiental, economia circular e resíduos chegou a 34,2%. Já na governança, a transparência na gestão registrou apenas 19,8%, sendo apontada como um dos principais pontos de atenção.
Transporte de cargas está à frente
O estudo também identifica diferenças importantes entre os segmentos. O transporte rodoviário de cargas alcançou maturidade média de 30,2%, acima do transporte municipal e metropolitano de passageiros, com 17,7%; fretamento e outros, com 17%; e transporte intermunicipal e interestadual de passageiros, com 16,7%.
Segundo o relatório, o avanço do setor de cargas é impulsionado, entre outros fatores, pelas exigências ESG dos embarcadores, que passaram a cobrar inventários de emissões e evidências de conformidade de seus fornecedores.
Mais método do que investimento
Apesar dos desafios, o panorama mostra que avançar na agenda ESG não depende necessariamente de grandes investimentos. Entre os primeiros passos recomendados estão a definição de um responsável pelo tema, a formalização das práticas que já existem, a medição do consumo de combustível, água e energia e a elaboração de inventários de emissões.
Também aparecem como caminhos a condução econômica, manutenção preventiva, renovação de frota, reúso de água, coleta seletiva, capacitação de motoristas, códigos de conduta, canais de denúncia e maior transparência na divulgação dos resultados.
O diagnóstico mostra, portanto, um setor que já possui experiências importantes, mas ainda enfrenta o desafio de transformar boas iniciativas em políticas estruturadas, mensuráveis e permanentes. A própria amplitude dos resultados indica que existem empresas em estágio avançado dentro do transporte rodoviário paulista, oferecendo referências para a evolução das demais.


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