

Brasil implantou menos de 12 km de corredores de BRT, por ano, desde 1974, aponta estudo da NTU
Levantamento inédito mapeia os sistemas em operação no país e aponta necessidade de acelerar investimentos, aprimorar a gestão da infraestrutura e melhorar a integração com outros modos de transporte

Brasília, agosto de 2026 – Apesar
de ter sido pioneiro na implantação do BRT, o Brasil avançou em ritmo
lento na expansão desse modelo de transporte público, nas últimas cinco
décadas. Desde 1974, quando o primeiro corredor
entrou em operação, em Curitiba, o país implantou, em média, menos de 12
quilômetros de corredores, por ano. Atualmente, são apenas 556
quilômetros de vias dedicadas, exclusivamente, ao transporte público
coletivo por
ônibus.
O
dado faz parte do estudo "BRT Brasil: sistemas em operação nas cidades
brasileiras", contratado e organizado pela Associação Nacional das
Empresas de Transportes Urbanos (NTU), e elaborado pela Oficina
Consultores. O levantamento analisou
aspectos institucionais, regulatórios, físicos, operacionais e
econômicos dos sistemas em funcionamento no país e foi desenvolvido como
contribuição da NTU ao BNDES, no âmbito do Estudo Nacional de
Mobilidade Urbana (ENMU). A iniciativa do banco
poderá ser uma das principais bases para a aceleração de investimentos
no setor, contribuindo para a implantação e desenvolvimento de novos e
mais modernos sistemas de transporte público de passageiros.
O diagnóstico revela que apenas
15 cidades do país operam 17 sistemas BRT, com ônibus circulando em 35
corredores. Apenas três dos 17 sistemas BRT foram viabilizados com
processos licitatórios exclusivos.
Na maioria das vezes, a delegação para a operação do BRT aconteceu por
aditivo ou enquadramento em contratos de concessão vigentes, para o
conjunto do sistema de transporte.
Além
disso, os dados mostram que a implantação ocorreu de forma pontual, ao
longo das últimas décadas, com maior concentração de investimentos entre
2012 e 2016, período relacionado à preparação das cidades brasileiras
para a Copa do Mundo, em
2014, e para os Jogos Olímpicos, em 2016. Para o diretor-presidente da
NTU, Francisco Christovam, o levantamento demonstra que o país precisa
transformar experiências bem-sucedidas em uma política mais contínua de
investimentos em transporte público
de média e alta capacidades.
"O
Brasil mostrou, há décadas, que o BRT é uma solução capaz de dar
prioridade ao transporte coletivo, ampliar a capacidade dos corredores e
melhorar a qualidade dos deslocamentos. O desafio agora é dar escala a
essa experiência. Não podemos
depender de ciclos isolados de investimentos. Precisamos de planejamento
de longo prazo, projetos estruturados e fontes permanentes de
financiamento, para que novas cidades possam contar com sistemas de
transporte de alta capacidade", afirma
Christovam.
Infraestrutura existente também exige gestão com foco em manutenção e melhoria
O
estudo chama a atenção não apenas para a necessidade de expansão dos
sistemas, mas também para a manutenção e melhoria da infraestrutura já
implantada, que é bastante robusta. Atualmente, os BRTs brasileiros em
operação somam 99 terminais e
682 estações, além das vias dedicadas. Em 64,7% dos casos, a
responsabilidade pela manutenção da infraestrutura permanece com os
municípios. Segundo o levantamento, quando a manutenção da
infraestrutura é de responsabilidade das
prefeituras, a qualidade do serviço pode ficar comprometida, além de
limitar as possibilidades de exploração comercial dos espaços, para a
geração de receitas extra tarifárias.
"Não
basta construir o corredor e colocar o sistema em operação. As áreas de
acesso aos terminais e estações precisam receber a qualificação urbana
adequada, com provisão de calçadas, ciclovias e mobiliário urbano
acessível e seguro. Os
BRTs devem ser tratados como parte de um patrimônio urbano que exige
manutenção permanente, boa gestão e integração com a cidade. A qualidade
percebida pelo passageiro começa antes mesmo de ele entrar no ônibus",
destaca
Christovam.
Para a entidade, uma nova agenda para os BRTs deve combinar expansão da infraestrutura, melhoria dos modelos de gestão, implantação de sistemas de monitoramento e controle da operação e requalificação dos acessos e entornos de terminais e estações, especialmente para facilitar a integração com deslocamentos a pé e por bicicleta. Esses são alguns dos pontos considerados estratégicos pela NTU, para ampliar a eficiência e a atratividade do transporte público coletivo.


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