
Volare aposta em híbrido a etanol, biometano e novos mercados
Marca amplia seu portfólio e mira agronegócio, fretamento e novas aplicações no transporte.
A Volare está ampliando sua estratégia de descarbonização e diversificando as aplicações de seus veículos no mercado brasileiro. Em entrevista à Rádio Ônibus durante a LAT.BUS 2026, Sidnei Vargas, gerente executivo da Volare no mercado interno da Marcopolo Brasil, detalhou os avanços da fabricante em tecnologias como o híbrido elétrico a etanol e o biometano, além da expansão do portfólio com o Fly 12 e o Volare Furgão.
Híbrido a etanol avança para aplicação comercial
Um dos principais destaques é o Volare Attack 10 Híbrido, apresentado inicialmente como estudo e que agora avança para a operação comercial. Segundo Vargas, o período de desenvolvimento permitiu à engenharia aperfeiçoar e validar o projeto em condições reais de utilização.
O veículo utiliza tração elétrica e um motor abastecido com etanol para geração de energia e recarga das baterias. A configuração permite reduzir a dependência de uma infraestrutura fixa de carregamento, uma das dificuldades para levar a eletrificação a operações distantes dos grandes centros urbanos.
De acordo com o executivo, a empresa já trabalha com matéria-prima para as primeiras unidades e o veículo passou por avaliações em operações no interior de São Paulo e em Mato Grosso do Sul.
Agronegócio aparece como mercado estratégico
A configuração híbrida abre espaço especialmente para o agronegócio e operações de fretamento ligadas a usinas, indústrias de celulose e outras atividades realizadas em regiões onde a infraestrutura de recarga elétrica ainda é limitada.
Para a Volare, o uso do etanol também acrescenta um componente importante à estratégia de redução das emissões, considerando a ampla disponibilidade do combustível no Brasil e sua relação direta com a própria cadeia produtiva do agronegócio.
Um exemplo citado durante a entrevista são as operações de transporte de trabalhadores de usinas produtoras de etanol. Nesse cenário, a utilização de veículos de menor emissão pode contribuir para que a redução da pegada de carbono alcance também o deslocamento dos funcionários.
Biometano abre outra frente para a descarbonização
Outra tecnologia destacada foi o biometano. Vargas ressaltou o crescimento da produção do combustível no país e as possibilidades de utilização de resíduos orgânicos para gerar energia destinada ao transporte.
Um dos desafios é fazer o combustível chegar aos locais de operação. Segundo o executivo, entretanto, já existem soluções de distribuição capazes de transportar o biometano e estabelecer estruturas móveis de abastecimento.
A evolução dessa alternativa depende de uma atuação conjunta entre fabricantes de veículos, produtores de biometano, distribuidores e operadores de transporte. A expectativa é que o aumento da produção e os novos investimentos em usinas ampliem gradualmente a escala da tecnologia.
Fly 12 leva Volare a uma nova faixa de mercado
A ampliação do portfólio também faz parte dessa estratégia. O Fly 12 representa um movimento da Volare para atender operações que demandam maior capacidade de transporte, permitindo à fabricante alcançar clientes e aplicações que vão além dos segmentos tradicionalmente associados à marca.
A proposta é ampliar as possibilidades de configuração e utilização dos veículos, acompanhando a transformação das necessidades de fretamento e do transporte de passageiros.
Volare Furgão amplia possibilidades de aplicação
Outro movimento é o Volare Furgão, que leva a plataforma da fabricante para operações além do transporte convencional de passageiros.
A solução amplia as possibilidades de customização e permite atender atividades que necessitam de espaço para carga ou configurações específicas, reforçando a estratégia da empresa de oferecer veículos adaptados às características de cada operação.
Novos mercados e novas fontes de energia
A entrevista mostra que a estratégia da Volare passa não apenas pelo lançamento de novos modelos, mas também pela diversificação das fontes de energia e das aplicações de seus veículos.
Etanol, eletrificação e biometano aparecem como caminhos complementares para reduzir emissões sem desconsiderar as diferentes realidades de infraestrutura existentes no Brasil. Ao mesmo tempo, produtos como Fly 12 e Furgão ampliam o alcance comercial da fabricante.
Com isso, a Volare busca aproximar a transição energética das necessidades práticas dos operadores, especialmente em segmentos como agronegócio, fretamento e atividades industriais, nos quais autonomia, disponibilidade do veículo e infraestrutura de abastecimento têm peso decisivo na escolha da tecnologia.


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