
Goiânia recebe primeiros ônibus a biometano do Brasil e se consolida como referência em mobilidade sustentável
A convite da Scania e da Marcopolo, a Rádio Ônibus esteve em Goiânia para acompanhar a entrega dos primeiros ônibus articulados movidos a biometano do Brasil. A iniciativa marca um avanço importante na modernização do transporte coletivo e coloca a capital goiana como protagonista na adoção de novas tecnologias sustentáveis.
O projeto vai além da simples renovação de frota. Trata-se da implantação de um novo modelo energético e operacional, que envolve desde o desenvolvimento dos veículos até a criação de uma infraestrutura completa de abastecimento.
Segundo Alex Nucci, a entrega representa um momento histórico para o setor. Ele destaca que a Scania não está apenas comercializando veículos, mas participando da construção de um ecossistema que viabiliza o uso do gás no transporte público. Os ônibus contam com motores 100% a gás e tecnologia que garante autonomia superior a 400 quilômetros, com desempenho semelhante ao diesel e potencial de redução de custos operacionais ao longo do tempo.
Já Alexandre Cervelin reforça que o projeto é resultado de uma parceria estratégica entre fabricantes. A Marcopolo é responsável pela carroceria dos modelos articulados, enquanto a Scania fornece o chassi e a motorização. Ele explica que o modelo Viale Express foi desenvolvido para atender diferentes tipos de propulsão, incluindo o biometano, garantindo eficiência e adaptação às novas demandas do setor.
Do ponto de vista operacional, Laércio Ávila, diretor-executivo do Consórcio BRT destaca que a iniciativa faz parte de uma transformação mais ampla do sistema de transporte coletivo. Os primeiros veículos já começam a operar com autonomia de cerca de 400 km, enquanto a infraestrutura de abastecimento segue em implantação, com capacidade futura para atender até 200 ônibus. Ele também ressalta que o modelo de gestão, baseado na integração entre poder público e iniciativa privada, tem sido fundamental para viabilizar os investimentos e garantir a evolução do sistema.
A base dessa transformação também passa pela produção do combustível. Está em implantação uma usina de biometano em Guapó, com capacidade de até 100 mil metros cúbicos por dia, garantindo o abastecimento da frota a partir de fontes renováveis, como resíduos orgânicos e agroindustriais.
Para o governador Ronaldo Caiado, a aposta no biometano representa uma virada estratégica. Ele afirma que o estado identificou no combustível uma solução alinhada ao seu potencial produtivo, permitindo reduzir emissões e, ao mesmo tempo, fortalecer a economia local. Caiado também destaca que os novos ônibus foram projetados especificamente para operar com gás, garantindo desempenho equivalente ao diesel com menor impacto ambiental.
Além da inovação tecnológica, o projeto faz parte da Nova RMTC, que já acumula investimentos superiores a R$ 2,5 bilhões. O sistema atende cerca de 530 mil passageiros por dia em 19 municípios e mantém a tarifa em R$ 4,30 desde 2019, com apoio de subsídios públicos. A proposta é avançar em etapas, consolidando um modelo mais eficiente, confortável e sustentável para a população.
Com a entrada dos ônibus a biometano, Goiânia dá mais um passo para se tornar referência nacional em mobilidade urbana, mostrando que a combinação entre inovação, planejamento e integração pode transformar o transporte público no Brasil.


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