
Carta da NTU propõe dividir custos do transporte público entre sociedade, empresas e poder público

NTU apresenta "Transporte para Todos" e propõe novo modelo de financiamento do transporte público
Durante o Seminário Nacional NTU 2026, realizado em São Paulo, a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) apresentou a Carta Brasil em Movimento – Transporte para Todos, documento que propõe uma mudança na forma de financiamento do transporte público coletivo no Brasil.
A proposta parte de um diagnóstico: milhões de brasileiros dependem diariamente de ônibus e trens para acessar trabalho, educação, saúde e outras oportunidades.
Transporte público como infraestrutura essencial
Segundo a carta, o transporte coletivo realiza mais de 1,1 bilhão de viagens por mês, com uma frota de aproximadamente 107 mil ônibus e 5,1 mil carros ferroviários, atendendo 2.962 municípios.
Para a NTU, esses números mostram que o transporte público vai além do deslocamento de passageiros e deve ser tratado como uma infraestrutura essencial para o desenvolvimento econômico e social do país.
Modelo atual é considerado um ponto de ruptura
A entidade aponta que o modelo baseado principalmente na tarifa paga pelo passageiro cria um ciclo de aumento de custos, elevação das tarifas e perda de usuários.
Com menos passageiros, diminuem as receitas do sistema, enquanto aumentam a pressão sobre os municípios para a concessão de subsídios.
A NTU defende que essa lógica precisa ser modificada para reduzir a dependência da tarifa como principal fonte de financiamento.
Três pilares para o "Transporte para Todos"
A proposta apresentada pela entidade está estruturada em três frentes.
Para os trabalhadores, o novo Vale-Transporte substituiria o desconto de até 6% do salário por um modelo de acesso mensal à rede de transporte.
Para quem tem direito à gratuidade, a proposta mantém os benefícios e prevê que áreas como educação, saúde e assistência social participem do custeio dos deslocamentos de seus públicos.
Para famílias em situação de vulnerabilidade, o chamado Vale-Transporte Social seria destinado a pessoas inscritas no CadÚnico e beneficiárias do Bolsa Família, sem redução do benefício social recebido.
Empresas teriam participação ampliada
A Carta Brasil em Movimento também propõe ampliar a participação dos empregadores no financiamento do transporte.
O modelo prevê uma Tarifa de Referência mensal, substituindo a lógica baseada na soma individual das passagens utilizadas pelos trabalhadores.
A proposta também considera o aproveitamento de créditos tributários pelas empresas, medida que dependeria de aprovação legislativa.
Menor pressão sobre os municípios
Outro ponto defendido pela NTU é a redução da necessidade de subsídios tarifários municipais.
Com uma maior participação dos empregadores no custeio dos deslocamentos relacionados ao trabalho formal, os municípios poderiam direcionar recursos para outras áreas, como saúde, educação, assistência social e melhoria do próprio transporte público.
Recursos para renovar e modernizar a frota
Para a NTU, um modelo de financiamento mais previsível também permitiria ampliar investimentos na renovação das frotas, na oferta de veículos e na incorporação de novas tecnologias.
A proposta está relacionada ainda à transição energética e à busca por sistemas de transporte mais eficientes e menos poluentes.
Uma proposta que vai além dos ônibus e trens
A Carta Brasil em Movimento defende que a melhoria do transporte coletivo produz impactos em diferentes setores da sociedade.
Trabalhadores podem ter maior acesso às oportunidades, empresas podem ganhar produtividade, o comércio pode se beneficiar do aumento da circulação de pessoas e o poder público pode contar com uma distribuição mais clara das responsabilidades.
A expectativa também é de impactos positivos sobre congestionamentos, poluição e qualidade de vida nas cidades.
Transporte como compromisso nacional
Ao apresentar o Transporte para Todos, a NTU defende que a discussão sobre o financiamento do transporte coletivo precisa superar governos e ciclos eleitorais.
A entidade propõe transformar o transporte público em um compromisso nacional, garantindo um sistema de qualidade, inclusivo e sustentável.
A mensagem central da carta resume essa visão: quando todos conseguem chegar, o Brasil inteiro avança.


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