Segurança viária no Brasil: tecnologia, desafios e o papel da sinalização

24/04/2026

Em entrevista à Rádio Ônibus, Silvia Cristina, vice-presidente da ABSEV, destaca desafios e caminhos para reduzir riscos nas rodovias



Direto da  Paving Expo em São Paulo, a Rádio Ônibus conversou com Silvia Cristina, vice-presidente da Associação Brasileira de Segurança Viária (ABSEV), sobre os principais desafios da sinalização no Brasil, o papel da tecnologia e a importância da correta aplicação dos materiais para salvar vidas.


Como surgiu a ABSEV e qual é o papel da entidade hoje?

Silvia Cristina:
A ABSEV nasceu da iniciativa de empresas fabricantes de materiais e tecnologias voltadas à sinalização viária. Essas empresas entenderam que era necessário unir forças para conscientizar o mercado sobre a importância da segurança nas vias. Hoje, atuamos promovendo boas práticas, qualidade técnica e apoiando o desenvolvimento de soluções que tornem rodovias e vias urbanas mais seguras.

 Quando falamos em sinalização viária, estamos falando apenas de pintura?

Silvia Cristina:
De forma alguma. A sinalização envolve tecnologia. A chamada sinalização horizontal, por exemplo, utiliza materiais com propriedades retrorrefletivas, que permitem ao motorista enxergar a via com clareza, principalmente à noite. Mas é importante destacar que não basta ter um bom material — a aplicação correta é fundamental para garantir o desempenho esperado.

 Ainda existem falhas na sinalização das vias brasileiras?

Silvia Cristina:
Sim, ainda temos desafios importantes. Em muitos casos, principalmente em municípios, vemos aplicações equivocadas por falta de orientação técnica. Às vezes o material até é adequado, mas é instalado de forma incorreta, o que compromete totalmente sua função. Por isso, o suporte técnico é essencial.

 Como funciona a relação da ABSEV com o poder público?

Silvia Cristina:
Temos uma relação muito próxima com órgãos federais, estaduais e municipais. A associação firma acordos técnicos e atua como parceira na orientação de projetos e aplicações. Isso ajuda a evitar erros e a elevar o padrão das soluções adotadas nas vias brasileiras.

 Qual é o papel da tecnologia na segurança viária?

Silvia Cristina:
A tecnologia é fundamental e está em constante evolução. Hoje, por exemplo, já discutimos como a sinalização precisa acompanhar o avanço dos veículos autônomos, que dependem de marcações claras para funcionar corretamente. Além disso, temos materiais cada vez mais eficientes e duráveis.

 E nas zonas de obras, quais são os principais problemas?

Silvia Cristina:
Esse é um ponto de atenção. Durante intervenções em rodovias, precisamos proteger tanto os trabalhadores quanto os motoristas. No entanto, ainda vemos o uso de materiais inadequados, como cones sem retrorrefletividade suficiente, que não garantem visibilidade à noite. É necessário evoluir na forma como essas áreas são sinalizadas.

 A educação no trânsito também é parte da solução?

Silvia Cristina:
Sem dúvida. A segurança viária depende de um conjunto de fatores, e o comportamento das pessoas é um deles. Precisamos trabalhar a conscientização desde cedo, inclusive nas escolas, para formar cidadãos e condutores mais responsáveis.

 Qual é o grande objetivo da segurança viária atualmente?

Silvia Cristina:
Nosso foco é reduzir os sinistros, principalmente aqueles com vítimas fatais. Trabalhamos com o conceito de Visão Zero, que busca eliminar mortes no trânsito. Sabemos que é um grande desafio, mas é um caminho necessário.



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