Presidente da FAESP alerta para gargalos de infraestrutura e altos juros no campo

05/08/2026

Agricultura, infraestrutura e planejamento de longo prazo são destaques em entrevista

Durante entrevista à Rádio Ônibus na Brazil Equipo Show, o presidente da entidade destacou que o Brasil precisa de um planejamento estratégico de longo prazo para superar gargalos históricos de infraestrutura e ampliar sua competitividade.

Segundo ele, o país ainda depende da importação de cerca de 85% dos fertilizantes e precisa investir na exploração de terras raras, além de ampliar a capacidade de armazenagem da produção agrícola. Atualmente, o Brasil produz cerca de 350 milhões de toneladas de alimentos, mas perde entre 16% e 17% da produção por falta de estrutura para estocagem.

Outro ponto enfatizado foi a necessidade de investimentos em ferrovias, refinarias, agroindústrias e logística. Para o dirigente, o país deve adotar um "Projeto Brasil", com metas para os próximos 20 ou 30 anos, independentemente dos governos, garantindo continuidade em áreas como educação, saúde e infraestrutura.

Ao falar sobre o agronegócio, ressaltou que o Brasil possui uma das matrizes energéticas mais renováveis do mundo, resultado de iniciativas como o Proálcool e da atuação da Embrapa, que permitiram o desenvolvimento da agricultura tropical e a conquista de até três safras na mesma área.

Também chamou atenção para as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais, como juros elevados, endividamento e a baixa cobertura do seguro rural. Enquanto nos Estados Unidos cerca de 96% das propriedades contam com seguro agrícola, no Brasil esse índice não chega a 2%. A principal reivindicação do setor é a renegociação das dívidas para garantir novos financiamentos e manter a produção.

O entrevistado destacou ainda ações voltadas à permanência do homem e da mulher no campo, como centros de excelência para levar tecnologia, inteligência artificial e big data aos pequenos e médios produtores, além de um programa de saúde em parceria com o Hospital Albert Einstein.

Encerrando a entrevista, relembrou sua origem no campo, atribuiu à mãe sua formação e reforçou que "o DNA do Brasil é o agronegócio". Ele também elogiou o trabalho da Rádio Ônibus e incentivou o empreendedorismo e a inovação no setor de transportes e do agro.



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