Maio Amarelo 2026 reforça empatia no trânsito: “Enxergar o outro é salvar vidas”

04/05/2026

Em entrevista para a Rádio Ônibus, Observatório defende redução da velocidade e mais fiscalização para salvar vidas

O mês de maio é marcado por uma das principais campanhas de conscientização no mundo: o Maio Amarelo, que coloca em pauta a segurança no trânsito. Em 2026, o movimento reforça a importância da empatia entre os usuários das vias, com foco especial nos mais vulneráveis.

Em entrevista à Rádio Ônibus, Paulo Guimarães, do Observatório Nacional de Segurança Viária, falou sobre os desafios, comportamentos de risco e caminhos para reduzir acidentes no Brasil.

 Qual é a principal mensagem do Maio Amarelo neste ano?

Paulo Guimarães:
A campanha deste ano traz uma reflexão importante: "enxergar o outro". Não é apenas ver, mas olhar com intenção, com propósito. Quando você enxerga o outro, você reconhece que ali existe uma vida, uma história, uma família. Nosso foco também está nos motociclistas, que hoje são as principais vítimas no trânsito, muitas vezes por falta de atenção de outros condutores, especialmente em pontos cegos.

O Brasil ainda registra muitos acidentes. Onde estamos errando?

Paulo Guimarães:
O trânsito é um reflexo do comportamento das pessoas. Se alguém tem atitudes agressivas no dia a dia, isso se repete ao volante. Muitas vezes, o erro está na falta de consciência coletiva e na ausência de consequências. As pessoas cometem infrações e, como nada acontece, continuam repetindo esses comportamentos.

 Como lidar com quem não se sensibiliza com campanhas?

Paulo Guimarães:
A segurança no trânsito depende de três pilares: educação, fiscalização e mudança cultural. Precisamos levar informação, melhorar a fiscalização e, principalmente, reduzir a tolerância da sociedade com atitudes perigosas. Hoje, ainda existe muita permissividade com comportamentos como usar o celular ao volante ou dirigir após consumir álcool.

Quais são os principais fatores de risco?

Paulo Guimarães:
A velocidade é o principal fator. Ela está presente em praticamente todos os acidentes graves. Ao reduzir a velocidade, você aumenta o tempo de reação e diminui a gravidade dos impactos. É uma medida simples, mas extremamente eficaz.

Existe um perfil mais afetado pela violência no trânsito?

Paulo Guimarães:
Os jovens são as principais vítimas, especialmente em acidentes envolvendo veículos. Já os idosos aparecem com maior frequência em casos de atropelamento. Mas, de forma geral, todos estamos expostos ao risco.

Qual o papel do transporte público na segurança viária?

Paulo Guimarães:
O transporte coletivo é uma das ferramentas mais importantes para melhorar a segurança no trânsito. Ele é mais seguro e eficiente. Quanto mais pessoas utilizam ônibus e outros modais coletivos, menor é a quantidade de veículos individuais nas ruas, o que reduz os riscos de acidentes.

Como o Observatório avalia a não obrigatoriedade de renovação dos cursos para motoristas profissionais?

Paulo Guimarães:
Essa é uma medida preocupante. A avaliação periódica é fundamental para garantir que tenhamos profissionais capacitados. Quando você flexibiliza isso, corre o risco de reduzir o nível de segurança nas estradas e nas cidades.

Se uma única mudança pudesse salvar mais vidas, qual seria?

Paulo Guimarães:
Sem dúvida, reduzir a velocidade. Essa é a ação mais eficaz. Ela impacta diretamente na prevenção e na gravidade dos acidentes.

Cidades inteligentes podem ajudar na segurança no trânsito?

Paulo Guimarães:
Sim, e muito. Quando você organiza melhor os deslocamentos e planeja a mobilidade urbana, você reduz conflitos no trânsito. Não estamos falando de tecnologias futuristas, mas de eficiência e planejamento.

Em ano eleitoral, como o tema segurança viária entra em pauta?

Paulo Guimarães:
Nosso trabalho é ampliar o debate e levar informação à sociedade. Mais do que promessas, é importante que a população tenha consciência e cobre ações efetivas dos gestores públicos.



Share