Transporte clandestino avança e acende alerta para a segurança dos passageiros

18/08/2026

Em entrevista à Rádio Ônibus, Antonio Laskos, diretor executivo do SETPESP, defende o uso de tecnologia para identificar veículos não autorizados e alerta passageiros sobre os riscos de viagens clandestinas.

O crescimento do transporte clandestino de passageiros e os acidentes envolvendo veículos irregulares têm ampliado a preocupação do setor com a segurança nas estradas. Em entrevista à Rádio Ônibus, Antonio Laskos, diretor executivo do SETPESP, alertou para os riscos dessas operações e defendeu uma combinação de tecnologia e fiscalização para ampliar o combate à clandestinidade.

Segundo Laskos, mudanças no comportamento da sociedade e a busca por viagens mais rápidas e baratas ajudam a explicar parte do crescimento desse mercado. Para ele, o passageiro pode ser atraído pela aparente praticidade e pelo preço, deixando em segundo plano aspectos fundamentais relacionados à segurança.

"Esse binômio, custo um pouco mais reduzido e uma velocidade maior, pode custar muito caro", alertou.

Tecnologia como aliada da fiscalização

Um dos principais pontos defendidos pelo diretor executivo do SETPESP é a ampliação do uso de recursos tecnológicos na identificação de veículos irregulares.

Laskos reconhece avanços na fiscalização no Estado de São Paulo, mas destaca que a extensão e a capilaridade da malha rodoviária tornam difícil controlar as operações apenas com equipes presentes fisicamente nas estradas.

Na avaliação do executivo, câmeras instaladas nas rodovias e estruturas existentes nas praças de pedágio poderiam ser integradas a bancos de dados para identificar, em tempo real, veículos sem autorização para realizar o transporte de passageiros.

A proposta é que, após a identificação eletrônica, as informações sejam encaminhadas às equipes responsáveis pela abordagem. Dessa maneira, a tecnologia atuaria de forma complementar aos fiscais.

Laskos citou como exemplo um recente acidente envolvendo um ônibus que seguia de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro e passou pela região de Petrópolis. Para ele, um sistema integrado poderia permitir que um veículo irregular fosse identificado durante o percurso, antes de chegar ao destino.

SETPESP busca parceria para ampliar controle

De acordo com Laskos, o SETPESP trabalha em parceria com a agência reguladora estadual na busca por soluções tecnológicas capazes de auxiliar na prevenção e identificação de operações clandestinas.

A intenção, segundo ele, é criar uma rede de informações capaz de apontar rapidamente quando um veículo não autorizado estiver circulando.

"É uma combinação muito importante: você ter a tecnologia atrelada aos recursos humanos, que são os fiscais na estrada", afirmou.

Impactos vão além da segurança

Embora a integridade dos passageiros seja a principal preocupação, Laskos destaca que os efeitos da clandestinidade não ficam restritos aos acidentes.

Segundo o executivo, empresas irregulares deixam de cumprir obrigações tributárias, de seguros e outras exigências presentes no transporte regulamentado. Ele também cita os impactos relacionados às taxas utilizadas para manutenção da infraestrutura dos terminais rodoviários.

Na avaliação de Laskos, a perda de arrecadação acaba produzindo reflexos mais amplos para a sociedade, uma vez que os recursos públicos também financiam áreas como saúde, educação e segurança.

Outro ponto de preocupação são as chamadas caronas remuneradas ou compartilhadas realizadas fora das condições adequadas de regulamentação. Laskos alerta que o passageiro pode desconhecer quem está conduzindo o veículo, as condições da viagem e até mesmo o conteúdo transportado por outros ocupantes.

Como saber se uma viagem é regular?

Para quem está planejando viajar, a principal recomendação do diretor executivo do SETPESP é pesquisar antes da compra.

Segundo Laskos, embarcar em terminais rodoviários regulares oferece ao passageiro maior segurança quanto à fiscalização do veículo, à documentação da empresa e às condições do motorista.

Ele também recomenda consultar os canais das agências reguladoras para verificar se a empresa está autorizada e quais origens e destinos pode operar.

Outro cuidado é utilizar plataformas de venda de passagens reconhecidas e desconfiar de ofertas baseadas exclusivamente em preços muito inferiores aos praticados pelo mercado.

Transporte regular oferece estrutura em caso de imprevistos

Laskos ressalta ainda que acidentes ou problemas mecânicos podem ocorrer mesmo em operações regulares. A diferença, segundo ele, está na estrutura existente para atender o passageiro quando um imprevisto acontece.

Empresas regulamentadas precisam atender normas e exigências relacionadas à operação, além de contar com seguros e estruturas para prestar assistência. Dependendo da situação, veículos reservas também podem ser utilizados para garantir a continuidade da viagem.

"Pesquise antes de viajar"

Ao final da entrevista, Antonio Laskos deixou uma orientação direta aos passageiros: não escolher uma viagem apenas pelo menor preço.

O executivo recomenda atenção especial a embarques realizados em locais improvisados, como beiras de estrada, postos de combustíveis e trevos, além de cautela com ofertas de caronas remuneradas.

A recomendação é verificar previamente a empresa responsável pelo serviço e dar preferência a operadores legalizados e embarques realizados em terminais rodoviários.

Para Laskos, ampliar o acesso à informação é parte fundamental do enfrentamento à clandestinidade. A combinação entre conscientização do passageiro, fiscalização, atuação das entidades do setor e novas tecnologias pode contribuir para reduzir a circulação de veículos irregulares e tornar as viagens mais seguras.



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