

Reforma tributária e fim da escala 6x1 são debatidos no Encontro de Fretamento realizado durante a Lat.Bus 2026

A reforma tributária e o fim da escala 6x1 foram dois dos temas predominantes no Encontro de Fretamento, promovido pela Federação das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo (Fresp) e pela Associação Nacional dos Transportadores de Turismo e Fretamento (Anttur) durante a Lat.Bus 2026.
Debatida durante o painel Impactos da Reforma Tributária no Serviço de Fretamento, a reforma tributária exigirá das empresas de fretamento de passageiros uma revisão que vai muito além do recolhimento de novos impostos. Contratos, formação de preços, escolha de fornecedores, fluxo de caixa e até a estrutura de custos das operações precisarão ser reavaliados à medida que CBS e IBS substituírem os tributos atuais. O debate teve a participação de Gustavo F. Minatel, mestre em Direito Tributário e sócio do Minatel Advogados, e Tullus Maranha e Souza, especialista em Direito Tributário e também sócio do escritório. As duas entidades são organizadoras do encontro.
Um dos pontos mais sensíveis será explicar a nova formação de preços aos clientes. Em simulação apresentada no painel, um serviço que hoje deixa R$ 100 mil líquidos para a transportadora exigiria faturamento de R$ 103,8 mil aproximadamente sob PIS/Cofins. Esperar a entrada dos novos tributos para discutir contratos foi um dos principais riscos apontados no painel. O fluxo de caixa merece atenção adicional.
Escala 6x1
O fim da escala 6x1 pode obrigar empresas de transporte de passageiros a ampliar em cerca de 21% o quadro de motoristas, além de elevar custos e provocar uma rodada de renegociação de contratos no fretamento. A estimativa resulta de simulações apresentadas por Wan Yu Chih, diretor da WPlan & Software, empresa de software especializada em planejamento operacional e escalas de motoristas, no painel Fim da Escala 6x1 e Impactos no Fretamento, realizado durante o Encontro de Fretamento. Segundo Chih, a mudança atingiria cinco pontos centrais da operação: custos, quantidade de motoristas, acordos trabalhistas, contratos com clientes e gestão das escalas.
Para absorver o aumento de custos, Chih trabalha com três cenários: manutenção da oferta com reajuste do valor pago pelo contratante; redução da oferta para preservar o custo atual; ou uma solução intermediária, combinando as duas alternativas.
O recém empossado presidente da Associação Nacional dos Transportadores de Turismo e Fretamento (ANTTUR), Emerson Imbronizio, afirmou que o setor ainda tenta dimensionar os efeitos de duas mudanças simultâneas: a reforma tributária e uma eventual alteração da jornada de trabalho.
A recomendação é não esperar uma eventual aprovação das mudanças para começar os estudos. "As empresas comecem desde agora a se preparar", afirmou Chih. O trabalho inclui simular diferentes jornadas, calcular a necessidade adicional de profissionais, avaliar o impacto sobre os custos, antecipar negociações trabalhistas e discutir com os clientes como os contratos poderão absorver a nova realidade.
Para o fretamento, portanto, o debate sobre o fim da 6x1 vai além da definição de quantos dias o motorista trabalhará por semana. Dependendo do desenho aprovado, a mudança poderá atingir simultaneamente disponibilidade de mão de obra, custos, preços, contratos e a própria capacidade das empresas de montar e executar suas operações.
Reportagens completas sobre o impacto da reforma tributária e sobre o fim da escala 6x1 no transporte podem ser lidas no site da Tecnibus.
Sobre a Lat.Bus 2026
Voltada para empresários, dirigentes de empresas operadoras e gestores públicos da mobilidade, a Lat.Bus chega em 2026 à quarta edição. A feira apresenta produtos da indústria de ônibus (chassis, carrocerias, peças e unidades motrizes), novas tecnologias em mobilidade e soluções em soluções de descarbonização, sustentabilidade e inovação. Também promove negócios e fortalece o debate sobre o transporte urbano, rodoviário, fretamento e turismo por ônibus. Painéis de debates, demonstrações e experiências ao vivo apresentam as tendências do transporte coletivo para o futuro.
A Lat.Bus 2026 acontecerá em uma área de 45.000 m² e terá eventos como Frotas Conectadas, Encontro de Fretamento, UITP (Associação Internacional do Transporte Público), Seminário NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), Seminário Abrati (Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros), Oficina de Tecnologia, Fórum Nacional de Secretários de Mobilidade Urbana, Fórum Paulista de Secretários de Transportes e Fórum de Transporte Sustentável.
Em 2024, a Lat.Bus reuniu 150 expositores nacionais e internacionais. Recebeu visitantes de 30 países e movimentou R$ 5 bilhões em negócios nos três dias, com 4.500 ônibus vendidos (entre chassis e carrocerias). Foram registrados mais de 22.000 visitantes, incluindo empresários estrangeiros. Os números consolidam a Lat.Bus como maior feira de negócios do setor de ônibus e mobilidade das Américas.
Mais notícias sobre a Lat.Bus 2026 podem ser lidas em https://technibus.com.br/editoria/latbus


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