Em defesa de uma mobilidade onde todos ganham

14/08/2026

O Seminário Nacional 2026, promovido nesta semana pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, trouxe ao debate um tema sensível ao setor: como financiar o transporte público coletivo e manter a modicidade tarifária, frente a uma queda do número de passageiros transportados e aos aumentos dos custos dos serviços prestados à população no Brasil.

Dados do Anuário NTU, divulgados no evento, mostram que as viagens realizadas em transporte coletivo tiveram uma redução de 3,7% em 2025, em comparação com 2024. O número de viagens dos passageiros equivalentes, que pagam a tarifa do transporte, reduziu em 5,8%, também comparando 2025 com o ano anterior, ficando quase 27% abaixo do nível registrado antes da pandemia do coronavírus.

Reverter esse quadro exige, como mostraram os debates realizados no seminário, ações que possibilitem a retomada do transporte coletivo como protagonista na mobilidade das cidades. Apesar das linhas de financiamento para implantação de infraestrutura e renovação das frotas de ônibus urbanos, com adoção de tecnologias limpas, é necessária a criação de mecanismos que impulsionem a maior utilização dos meios coletivos de deslocamento nas cidades, reduzindo congestionamentos e a emissão de poluentes provocados pelo uso do transporte individual.

Para enfrentar o desafio da obtenção de recursos para o custeio dos serviços de transportes de passageiros no país, estimado em mais de R$ 75 bilhões por ano, a NTU apresentou, para discussões, a proposta "Transporte para todos", baseada em três pilares: reformulação do vale-transporte, sem desconto do trabalhador e com amplo acesso à rede de transporte; a atribuição de responsabilidades orçamentárias para custear as gratuidades, que representam cerca de 25% dos passageiros transportados, retirando esse ônus do passageiro pagante; e a criação do vale-transporte social, que atenderia as famílias em situação de vulnerabilidade.

Foram, assim, lançadas as bases para uma política nacional de financiamento do transporte público coletivo, que pode levar a uma melhoria significativa nos serviços oferecidos à população, com renovação da frota, incorporação das melhorias tecnológicas de gestão operacional e tarifas que não pesem nos orçamentos familiares, para que, realmente, possamos ter cidades mais amigáveis, menos congestionadas e menos poluídas, e benefícios para toda a coletividade.



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