

Coalizão pela Segurança Viária quer reduzir em 50% as mortes nas rodovias concedidas até 2037
Sérgio Avelleda destaca importância da iniciativa e critica proposta que permite adolescentes de 16 anos dirigirem
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A criação da Coalizão pela Segurança Viária foi um dos principais anúncios da Bienal de Rodovias realizada nesta semana. A iniciativa, liderada pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), reúne diferentes setores da sociedade com o objetivo de reduzir acidentes e salvar vidas no trânsito.
Em entrevista à Rádio Ônibus, o especialista em mobilidade e transporte Sérgio Avelleda explicou que a coalizão nasce com uma meta clara: reduzir em 50% o número de mortes nas rodovias concedidas até 2037.
Segundo Avelleda, a iniciativa vai além de manifestos e compromissos institucionais, buscando implementar ações concretas baseadas na metodologia Visão Zero, conceito criado na Suécia que parte do princípio de que nenhuma morte no trânsito é aceitável.
"O objetivo é identificar medidas práticas que possam ser adotadas pelos diferentes integrantes da coalizão para reduzir a sinistralidade e preservar vidas", destacou.
Atualmente, o Brasil registra mais de 35 mil mortes por ano no trânsito. Para Avelleda, os principais desafios estão relacionados ao crescimento da frota de motocicletas e à necessidade de proteger usuários mais vulneráveis, como pedestres e ciclistas.
"O grande desafio é gerir os riscos do trânsito, especialmente a velocidade, a distração causada pelo uso do celular, o consumo de álcool e o uso correto dos equipamentos de proteção", afirmou.
O especialista também ressaltou a importância das concessionárias de rodovias, que já contribuíram para a redução da letalidade por meio de melhorias na infraestrutura, sinalização e atendimento aos usuários.
Durante a entrevista, Avelleda comentou ainda a proposta em discussão no Congresso Nacional que prevê a emissão da Carteira Nacional de Habilitação para adolescentes de 16 e 17 anos em determinadas condições.
Para ele, a medida não contribui para a melhoria da segurança viária.
"Ampliar o número de motoristas com pessoas mais imaturas e menos preparadas para a tomada de decisões em situações de risco não é aconselhável. O poder público deveria incentivar os jovens a utilizarem mais o transporte público e a mobilidade ativa", avaliou.
Ao abordar soluções tecnológicas, Avelleda defendeu a adoção de limitadores inteligentes de velocidade integrados por georreferenciamento, tecnologia capaz de adequar automaticamente a velocidade do veículo aos limites da via.
Ele também citou exemplos internacionais, como a fiscalização por velocidade média utilizada na Itália e a redução dos limites de velocidade em áreas residenciais de diversas cidades europeias.
Na mensagem final, o especialista reforçou que a sociedade precisa deixar de tratar as mortes no trânsito como algo inevitável.
"Não podemos mais tolerar essa carnificina no trânsito. A velocidade não pode ser vista como algo glamouroso. Quando entendermos isso como sociedade, estaremos dando um grande passo em favor da vida", concluiu.


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