
A transição do ESG para o ESG 2.0
Francisco Christovam

ESG é uma estrutura de avaliação que impulsiona organizações rumo à
sustentabilidade, em seu sentido mais amplo. A sigla, que significa
Ambiental, Social e Governança (Environmental, Social and
Governance), surgiu em 2004, por iniciativa da Organização das Nações
Unidas (ONU) e do Banco Internacional para Reconstrução e
Desenvolvimento (BIRD). Na verdade, essas organizações multilaterais
desafiaram os CEO's de grandes bancos a integrar fatores ambientais,
sociais e de governança ao mercado de capitais, transformando
sustentabilidade em métricas financeiras e de investimento.
Em essência, o ESG reúne critérios para avaliar sustentabilidade e
impacto ético de empresas, indo além dos resultados financeiros. Analisa
como a organização gerencia riscos e oportunidades ligados ao meio
ambiente, à sociedade e à administração, sendo fundamental para
investimentos responsáveis, pois evidencia o compromisso da empresa
com práticas duradouras, transparência e responsabilidade perante todos
os agentes da cadeia produtiva.
No aspecto ambiental, avalia-se a gestão de resíduos, controle de
emissões, uso de recursos naturais e preservação da biodiversidade. O
pilar social examina relações da empresa com pessoas e comunidades,
considerando direitos humanos, diversidade, inclusão, condições de
trabalho, saúde, segurança e satisfação dos clientes. Já a governança
aborda administração, transparência, ética, estrutura de liderança,
políticas de remuneração, proteção dos acionistas e combate à
corrupção.
O conceito se fortaleceu nas últimas décadas, impulsionado pela
emergência climática e maior pressão por transparência, tornando-se um
diferencial competitivo essencial. Para as empresas, implementar
práticas ESG amplia competitividade, atrai talentos, fortalece reputação,
melhora o relacionamento com clientes e parceiros e assegura a
continuidade dos negócios. Para a sociedade, estimula comportamentos
empresariais responsáveis, colaborando para um mundo mais justo e
sustentável.
Historicamente, as questões ambientais receberam maior destaque,
impulsionadas pela preocupação com mudanças climáticas e
preservação dos recursos naturais. Aspectos sociais também ganharam
relevância com a demanda por trabalho justo, respeito aos direitos
humanos, diversidade, inclusão e bem-estar das comunidades. Por outro
lado, a governança corporativa ficou muitas vezes em um terceiro plano,
vista apenas como uma exigência formal. No entanto, é um atributo
essencial para garantir a adoção efetiva das práticas ambientais e
sociais, promovendo transparência, ética e responsabilidade em todos os
níveis.
Uma governança robusta assegura mecanismos de controle, políticas
claras de remuneração, combate à corrupção, proteção dos acionistas e
gestão de riscos, fortalecendo a confiança dos "stakeholders" e a
viabilidade dos negócios. O equilíbrio entre os três pilares é cada vez
mais reconhecido como fundamental para criar valor, reputação e
perenidade organizacionais.
Recentemente, com mercados mais dinâmicos e competitivos, as
empresas passaram a reavaliar, em profundidade, a aplicação dos
conceitos ESG, considerando não só custos e benefícios, mas também o
impacto estratégico dessas práticas no posicionamento corporativo. Esse
processo envolve análise detalhada sobre como iniciativas ambientais,
sociais e de governança geram respeito, fortalecem imagem, mitigam
riscos e atraem investimentos, além de promover inovação e adaptação
a novas demandas regulatórias e sociais.
Em debate promovido pela plataforma de vídeos YouTube, o cientista
social, diplomata e economista brasileiro Marcos Prado Troyjo, autor de
vários livros e, atualmente, Co-Chairman do LIDE (Grupo de Líderes
Empresariais) e membro do Fórum Econômico Mundial, defendeu a
necessidade urgente da evolução do tradicional ESG para o ESG 2.0.
Segundo ele, esse novo estágio representa uma reforma estrutural
imprescindível, para evitar a perda de relevância do ESG no universo
corporativo contemporâneo.
O ESG 2.0, como proposto por Troyjo, vai além da adoção de práticas
ambientais, sociais e de governança, integrando esses pilares, de forma
estratégica, às operações empresariais, com foco em Economia,
Segurança e Geopolítica. Essa abordagem exige métricas mais precisas
e transparentes, capazes de demonstrar o impacto das ações
corporativas na ética nos negócios.
Troyjo destaca a importância de envolver todos os agentes na
transformação, promovendo uma cultura organizacional baseada em
responsabilidade, inovação e perenidade. A evolução exige revisão de
estratégias, políticas internas e mecanismos de governança,
assegurando implementação e aprimoramento contínuo das práticas
ambientais e sociais. O ESG deve ser visto como motor do
desenvolvimento sustentável, capaz de fortalecer reputação, atrair
investimentos, mitigar riscos e contribuir para um mundo mais justo.
Essa transformação decorre de uma profunda reconfiguração geopolítica
global, com mudanças substanciais nas relações entre governos,
empresas e sociedade civil. Novos acordos multilaterais, conflitos e
pressões regulatórias internacionais alteram o ambiente de negócios,
exigindo postura mais estratégica e adaptável aos desafios globais.
As empresas deixam de ser apenas agentes econômicos, tornando-se
protagonistas em temas como segurança energética, ética na cadeia de
suprimentos, proteção de dados transnacionais, responsabilidade social
ampliada e inovação tecnológica. A título de exemplo vale citar que,
diante da demanda por energias renováveis, assunto tão importante para
o setor dos transportes, corporações do setor elétrico precisam investir
em tecnologias limpas e garantir transparência sobre impactos
ambientais.
Muitas empresas multinacionais enfrentam o desafio de alinhar práticas
de governança e responsabilidade social a exigências regulatórias de
diferentes países, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), no
Brasil, e o General Data Protection Regulation (GDPR), na União
Europeia. O setor financeiro passou a incorporar critérios ESG na análise
de risco, influenciando decisões de crédito e investimentos ao considerar
impacto social, conformidade ética e resistência diante de crises
geopolíticas.
O ESG 2.0 deve ser visto como uma evolução do atual sistema e não
uma mera substituição de práticas e conceitos. Diferente de uma simples
atualização, o ESG 2.0 propõe uma integração mais profunda e
estratégica dos pilares ambiental, social e de governança, ampliando seu
escopo para incorporar também aspectos econômicos, de segurança e
de geopolítica. Essa evolução implica que empresas não apenas adotem
práticas responsáveis, mas as alinhem diretamente aos objetivos
estratégicos do negócio, promovendo uma cultura organizacional voltada
para a inovação, a perenidade e a geração de valor.
Além disso, o ESG 2.0 exige a revisão constante das políticas internas e
dos mecanismos de governança, assegurando que as ações sejam
mensuráveis por meio de métricas cada vez mais precisas e
transparentes. O novo modelo demanda o engajamento de todos os
agentes na construção de soluções que respondam de maneira ágil aos
desafios contemporâneos, como mudanças regulatórias, crises
geopolíticas e exigências sociais crescentes. Dessa forma, o ESG 2.0
transforma as empresas em protagonistas de temas cruciais como
segurança energética, proteção de dados, ética nas cadeias de
suprimentos e inovação sustentável, fortalecendo sua reputação e
capacidade de adaptação diante de um cenário global em constante
transformação.
Nos debates havidos no Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos,
em janeiro deste ano, sob o tema "A Spirit of Dialogue" (Um Espírito de
Diálogo), o tema ESG foi tratado como um imperativo estratégico e
regulatório, para garantir a eficiência empresarial e impulsionar o
crescimento econômico, diante dos atuais riscos geopolíticos e
climáticos. O evento marcou uma transição do enfoque tradicional de
divulgação – relatório de conformidades – para a incorporação prática de
ações sustentáveis, elevando-as ao patamar de diferencial competitivo e
parte integrante da infraestrutura econômica das organizações.
Assim, a sustentabilidade deixa de ser apenas uma exigência de
atendimento a padrões estabelecidos para se consolidar como base
sólida na geração de valor. A discussão sobre transição energética, por
exemplo, deverá ser conduzida de maneira mais estratégica e objetiva,
com foco no mercado de energia e na gestão efetiva de riscos, em vez
de uma abordagem de caráter mais ideológico.
Francisco Christovam é diretor-presidente (CEO) da Associação Nacional das
Empresas de Transportes Urbanos (NTU), vice-presidente da Federação das
Empresas de Transportes de Passageiros do Estado de São Paulo (FETPESP) e da
Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), bem como Diretor da Sessão
de Transporte de Passageiros da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e
membro do Conselho Deliberativo do Instituto de Engenharia.


Sertran celebra 30 anos com aquisição de 30 Viaggio G8 900

Comil celebra 40 anos com pagamento de PPR à sua equipe

BRT Sorocaba: laboratório vivo de inovação em mobilidade urbana para futuros juristas da FGV

NTU lança campanha nacional “O Brasil é Coletivo” em celebração ao primeiro Dia Mundial do Transporte Público

Eletrificação avança no Brasil e ônibus elétricos chegam ao fretamento corporativo em larga escala

IVECO BUS CONQUISTA O PRÊMIO “INTERNATIONAL SUSTAINABILITY AWARD 2026” COM O CROSSWAY LOW ENTRY ELEC

SPTrans cria linha noturna que liga o Terminal Cachoeirinha aos hospitais da Brasilândia e Vila Penteado

