

Crescimento sem planejamento ajuda a explicar a perda de passageiros nos ônibus de São Paulo

O arquiteto e urbanista Flaminio Firchman analisa a queda no número de passageiros de ônibus em São Paulo como consequência direta de décadas de crescimento urbano sem planejamento integrado. Segundo ele, a cidade deixou de ser apenas municipal e passou a funcionar como uma metrópole conurbada, onde o cidadão é essencialmente metropolitano, se deslocando entre dezenas de municípios todos os dias.
Firchman explica que o desenho urbano de São Paulo acabou favorecendo o transporte individual ao longo do tempo, com incentivos ao automóvel e, mais recentemente, à motocicleta. O crescimento acelerado das motos — hoje, duas para cada três veículos vendidos — é visto como resultado da falta de eficiência do transporte coletivo, especialmente do ônibus, que perdeu competitividade em razão da baixa velocidade média, congestionamentos e excesso de linhas sobrepostas.
O urbanista destaca que, apesar de o ônibus ser o principal meio de transporte da população, ele recebe investimentos muito inferiores aos destinados ao metrô. Para ele, há um preconceito histórico contra investimentos em infraestrutura de média capacidade, como corredores estruturados e sistemas BRT completos. Pintar faixas exclusivas não é suficiente: é preciso espaço para ultrapassagens, estações adequadas, plataformas em nível e diferentes tipos de linhas — paradoras, semiexpressas e expressas.


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